quarta-feira, 11 de agosto de 2010

and heart speaks up...



Impressionante o poder de as coisas que a gente vive no dia-a-dia se tranformarem em lições pra vida.
Depois dos estágios, tudo tem sido assim.
Parece que você toma "aquela dose amarga de realidade" e o terceiro olho abre.
Tanta gente alí... superdebilitada e você reclamando. É... você! Você que tem tanto... (eu sei que é clichê! mas foi o que eu vi. E senti.)
Difícil lidar com isso e conseguir encontrar o seu papel no meio disso tudo.

Eu sou aversa a atenção primária. Jamais pensei em me habilitar em farmacia hospitalar... e comercial? tampouco!
Nasci pra ser cientista. E é isso o que tenho pra dar ao mundo.
MAS... no meio de tanta vidraria, experimentos e resultados, acabamos nos perdendo. E esquecendo o significado maior da coisa. O lado humano.
Um profissional da saúde existe para que haja o alívio e manutenção do bem maior: a vida. E dentre tantas opções, alguns farmacêuticos parecem se isentar um pouco disso... passando a exercer um papel meramente técnico: "dispensar". Mesmo sabendo que este não é o propósito maior.
É 'muito' isso que o contato com o paciete nos traz: essa dose violenta de humanidade.
Porque o paciente está ali pra resolver o seu problema de saúde, sim! Mas, acima de tudo, ele quer e precisa ser ouvido, compreendido, cuidado. Essas, acreditemos, são muitas vezes necessidades maiores que a própria cura.
Muitos ainda se recusam a ter essa consciencia pra si. E embora para estes esta seja uma verdade que incomoda, somos profissionais da saúde e a vida é responsabilidade nossa, sim!
Não, eu não vou fazer farmacia hospitalar! rs
Mas não há como fugir da obrigação inerente a cada um de nós: o de tornar a vida de quem passa por nós melhor.
Às vezes é bom pensar nisso.


                                                                                             *


Hoje é dia de ausência...
de vazio...
daquela coisinha que incomoda.
Aliás, todo dia é. Mas hoje é mais. Muito mais.
Oito meses sem alguém que se instalou na sua vida, passou a fazer parte da sua rotina, da sua felicidade, dos seus planos, se fez fundamental... e foi embora.

Fê...

não vamos lembrar de como você se foi, mas sim da maneira que viveu e o quanto sua presença nos permitiu entender o verdadeiro sentido de fortalecer laços. Laços estes que vamos levar sempre conosco em nossos corações.

Não há palavras que traduzam com exatidão toda a falta que você vai fazer, mas, se tentássemos encontrá-las, elas seriam mais ou menos assim:

"A vida é frágil e viver
é um lindo momento quando se sabe amar
Notar a poesia perdida no tempo
Rebuscar no eterno acreditar
Será que o sonho acabou?
Será que o que somos se foi?
Sei que a tempestade dará seu lugar a um dia de sol...

Os nossos momentos, as nossas idéias presentes
em todas as canções
O que nós sentimos, os nossos desejos seguirão
em nossos corações
Você foi tão cedo, a vida é um mistério e ela não diz porquê
Mas tua semente hoje está presente e vai florescer...

Temos certeza que vamos te encontrar
Não sabemos o dia e a hora, mas sabemos o lugar
Sabemos que você está bem
Mesmo assim, isso não nos impede de chorar..."


                                                                                            *



Quando eu era criança, minha mãe viajava muitíssimo. E a isso, nunca consegui me adaptar.
Acho que metade da minha infância foi em aeroporto; a outra metade, em rodoviária. Não! tou exagerando, mas era muito mesmo. Lembro que a cada despedida, eu chorava, e chorava, e chorava... isso durou até uns 12 anos de idade. Foi quando eu descobri que era melhor não ir mais deixá-la. Despedidas não eram pra mim.
Hoje, aos 20 e poucos... (rs), parece que é igual, com um pequeno diiferencial: eu não choro mais. Já sou uma "mocinha", né?!
Que nada! hoje é pior... Porque eu posso até nem chorar mesmo. Masssss... eu fico com AQUELA cara... sabe aqueeeela cara? Aquela cara de quem queria ter cinco anos de novo pra poder justificar aquele show de lágrimas, se jogar no chão e implorar: "por favor, num vai não!" ou: "se for inevitável ir, me leva contigo!!!"
é... parece que pouca coisa mudou. Continuo odiando despedidas. E aeroporto é sinônimo de tortura pra mim... a menos que eu esteja indo também! rs
Nunca entendi por que "parece" sempre pior pra quem fica. Tese: talvez porque a espera pareça uma eternidade. né? depois vou pensar mais nisso.
O motivo dessa nostalgia toda?
 hoje (logo hoje) MAIS UM amigo viajou... (não, eu não fui pro aeroporto).
Ahh.. essa minha vida de esperar...
Um dia.. vou-me embora também! rum!

Porque hoje, metade de mim é espera e a outra metade é saudade.

                                                                                            *

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