"Solitude é o isolamento ou reclusão voluntário, quando o indivíduo busca estar em paz consigo mesmo. Diferente da solidão que em sua essência é o estado emocional do indivíduo que deseja ardentemente uma companhia e não a tem. Um indivíduo pode estar cercado de amigos, em meio a um salão de festas muito animado, e ainda assim estar corroído pela solidão.
Em alguns casos, o indivíduo escolhe isso pelas experiências que lhe foram desagradáveis em algum tempo atrás. Sendo então a solitude uma maneira de evitar que o mesmo incidente ocorra novamente."
"Que eu queria poder te dizer cem palavras Eu queria poder te cantar cem canções Eu queria viver morrendo em sua teia Seu sangue correndo em minha veia Seu cheiro morando em meus pulmões Cada dia que passo sem sua presença Sou um presidiário cumprindo sentença Sou um velho diário perdido na areia Esperando que você me leia Sou pista vazia esperando aviões"
tormento e paz
profundidade e superficialidade
medo e coragem
esquecimento e lembrança
cronologia e anacrônismo
dor e alívio
nunca e ainda
nada e tudo
vazio e completude
revolto e calmo
ausência e presença
distância e proximidade
relatividade e convicção
sonho e pesadelo
mal e bem
diálogo e monólogo
prosa e poesia
silêncio e música
diminuto e superlativo
temporais e primaveras
riso e pranto
frio e calor
amargo e doce
tímido e vulgar
lucidez e loucura
fugacidade e vagarosidade
desapego e saudade
individualidade e sinergismo
desdém e vontade
confuso e claro
comum e raro
passado e futuro
chaga e cicatriz
ebriedade e sobriedade
desânimo e ânsia
espinhos e flores
presunção e humildade
nós e laços
monocromático e colorido
crítica e elogio
culpa e compreensão
mágoa e perdão
solidão e solitude
braço e abraço
fim e (re)começo
monólogos e diálogos
lua e sol
pecado e remissão
meio e inteiro
eu e você
você e eu
cem palavras.
antônimos que não se neutralizam.
Cada pessoa que passa por nós nos deixa uma história. Às vezes pra contar, outras pra calar.
um dia, um moço no ônibus pediu ajuda. vendia chaveiros com estampas de cartas de baralho: "escolhe um?!" dentre tantos naipes e personagens, um em particular sempre me despertou o interesse: altiva, serena e ao mesmo tempo tão imponente, portadora de uma exuberância peculiar, persistente. jamais abandonara o baralho. dona de si, e de uma maldade quase cômica. "queen of hearts".
sem balbuciar, disparei: "quero a rainha de copas!"
“Ela é uma moça de poses delicadas, sorrisos discretos e
olhar misterioso. Ela tem cara de menina mimada, um quê de esquisitice, uma
sensibilidade de flor, um jeito encantado de ser, um toque de intuição e um tom
de doçura. Ela reflete lilás, um brilho de estrela, uma inquietude, uma solidão
de artista e um ar sensato de cientista. Ela é intensa e tem mania de sentir
por completo, de amar por completo e de ser por completo. Dentro dela tem um
coração bobo, que é sempre capaz de amar e de acreditar outra vez. Ela tem
aquele gosto doce de menina romântica e aquele gosto ácido de mulher moderna.”
Gratidão é sentimento que ocupa espaços grandes, e que, as vezes, não cabe só no coração. Escorre pelos olhos em lágrima, espalha-se pelas mãos e braços em abraços, toma a face em sorriso e o corpo em emoção. Sempre acreditei que nossa construção se dá a partir de nossas (con)vivências. E são elas que nos tornam tão grandes quanto os espaços que ocupam. Hoje, meu nome é gratidão. Agradeço a quem persistiu em mim, a quem me lançou um segundo olhar, e que, com calma, resolveu me dar uma segunda, terceira, quarta chance (e tantas mais...). E a quem enxergou atenção na minha curiosidade apaixonada, meiguice na minha preguiça de ser incisiva, inteligência na minha sagacidade, persistência na minha insistência, caráter na minha mania de fazer tudo a risca, garra na minha objetividade, poesia nos meus rabiscos, dedicação na minha assiduidade chata, precaução na minha insegurança, prudência na minha negligência, timidez na minha inibição, calma na minha passividade, charme no meu desengonço, perfeccionismo no meu criticismo, sensatez na minha indecisão, carinho na minha carência, cautela na minha vagarosidade, maturidade na minha seriedade, alguma delicadeza na minha "escroteza", espontaneidade na minha loucura. Agradeço aqueles os que me deram, me dão e me darão oportunidade de crescer, de demonstrar quem realmente sou e, principalmente, por ter em quem me espelhar. Agradeço aqueles que me presenteiam com a palavra certa, no momento certo e aqueles que respeitam o meu silêncio, quando o elejo. Agradeço aqueles que acreditam nas minhas idealizações e de alguma forma contribuem para que eu as realize. Agradeço aqueles que são totalmente distintos de mim, mas que ainda assim me dedicam respeito e até alguma admiração. Agradeço àqueles que me ensinaram que trabalho não é o caminho mais curto, mas o melhor e mais digno para alcançar meus objetivos. Agradeço a quem qualquer lição me ensina e a quem me dá a oportunidade de surpreender. Agradeço a quem me ensina que o valor dos sentimentos é SEMPRE superior ao das "coisas". Agradeço a quem de alguma forma fez o meu 21 mais florido, seja com sorrisos, palavras bonitas, carinho, atenção, energias boas. E a Deus, por todo o aprendizado, amigos, família e até pelos obstáculos diários, porque, se não fosse por eles, minhas vitórias não teriam um gosto tão doce e a história que tenho escrito poderia ter um desfecho sem graça. Tenho tanto, tanto, tanto a agradecer, que teria que ter passado o dia inteiro (quem sabe a semana) de joelhos. Obrigada ao que já veio e o que virá. Obrigada por, de alguma forma, me tornar maior. Obrigada, obrigada, obrigada!
em agosto as luas são mais bonitas, e o céu mais estrelado. o florescer é mais perfumado, e o mar ondula numa sincronia que mais parece uma dança. as brisas são suaves, o pôr-do-sol assume um alaranjado especial e as nuvens desenham formas mais interessantes. agosto é como verão... "quente o coração". agosto conjuga início e recomeço. agosto é onde as coisas boas acontecem. bem vindo seja!
"As estações mudam. Às vezes é inverno, às vezes é verão. Se você permanecer sempre no mesmo clima, você se sentirá estagnado. Você precisa aprender a gostar daquilo que está acontecendo. Chamo a isso de maturidade. Você precisa gostar daquilo que já está presente.
A imaturidade é ficar vivendo nos "poderias" e nos "deverias" e nunca vivendo naquilo que é."
A maior parte das pessoas, quando vão a um
espetáculo de balé, avaliam uma bailarina por sua postura, seu tronco ereto e
impecavelmente exuberante. Não que isso não deva ser observado, mas, sabiam que
um dos pré requisitos para passar na seleção do Bolshoi é o formato dos pés?
Pois é.
Durante um ato,
poucos são os que refletem sobre os pés da bailarina. Os caminhos por onde
caminharam para que chegasse até ali e o peso que os mesmos tiveram de aprender
a sustentar.
Poucos são os que
veem além. O quanto ela teve que praticar e dedicar-se...
Horas a fio
repetindo os mesmos movimentos, e cuidadosamente refletindo o sentimento de
cada ato, sem que aquilo pareça puramente mecânico.
E quando a
bailarina vai ao chão?
Significa que ela
treinou menos ou que seus pés sejam menos feios?
Sim. O chão nunca
pode ter sido encerado em excesso ou os tacos mal colocados.
A bailarina
defectível engordou ou praticou menos.
Assistir a
bailarina em todo o seu esplendor e glória e ao mesmo tempo associar a isso o
fato de que ela tem terríveis dores musculares e seus pés são calosos e
bolhosos é destoante, não é mesmo? Afinal de contas, na hora de subir ao palco
e mostrar a que veio, as sapatilhas surradas são guardadas e os pezinhos estarão
envoltos em novas e lustrosas.
Por isso é fácil
para muitos admirar o que se vê, o produto final.
Infelizmente a
maioria ignora as etapas anteriores.
Mais foi a dor e o
esforço que levaram a bailarina ao seu cume pessoal: a ponta dos seus próprios pés.
"Bom dia!". Um sorriso de canto
de boca. "Totalmente mecânico"- pensei. Será que desejei de fato que aquelas
pessoas a quem me dirigi tivessem um bom dia?! Vou ter que adiar esse
pensamento, pelo menos por hora. Já estou atrasada!
Agora não.
Não tenho tempo.
Preciso trabalhar.
Não vou poder ir, tenho que estudar.
Frases rotineiras por aqui. Por aí também?
Sete cadeiras ou não consigo graduar a tempo. Apresentação de seminário e dois trabalhos escritos pra semana que vem (mas eles não acabam nuncaaa?!). Tem reunião no laboratório e o ultimo experimento da monografia e mil
prescrições pra analisar e as visitas na UTI, sempre as terças-feiras.
Almoço às pressas, sem
tempo pra dialogar, digo um oi pra algum rosto familiar no meio do caminho, mas
sempre correndo.
"Que vida é
essa?"- me pergunto. "não tou gostando assim, não"- reclamo. Os
amigos também.
"E a vida
social?"- mamãe indaga ao me ver jogada aos livros em pleno sábado a noite.
"E o
namorado?"- vovó dispara toda vez que me vê. "tá de caso com os
livros, ainda?"- completa. "É, vó. Tô de olho no "Leblanch".
Nome pomposo, não acha?!"- rimos.
E o blog? "Mil
rascunhos!" - penso sozinha- "mas ainda nem entreguei o projeto da mono.
Maldito!"
Cinco anos atrás, o coordenador do cursinho
perguntou qual era o motivo de estarmos ali. Ele, diante do silêncio da turma, respondeu (dono de uma obviedade enorme): "vocês estão aqui por que querem, de
alguma forma, alcançar a felicidade."
Não deixa de ser verdade. Dinheiro,
satisfação pessoal, reconhecimento, poder melhorar de alguma forma a vida de
alguém... São objetivos almejados pela maioria das pessoas.
Mas que felicidade é essa, que nos isola,
nos exaure e nos mumifica?!
O fato é que em um
momento ou outro, acabamos nos afastando de muitas coisas importantes em nome
destas buscas. Mas, como perceber quando estamos nos transformando em objetos dos
nossos objetos de desejo?
Eu não vi nenhuma entrevista oficial, e bem sei que a mídia
não tem limites em espalhar o seu veneno quando o assunto é causar polêmica e conseqüentemente,
conquistar maior audiência.
O fato é que estava eu recentemente navegando na internet
quando vejo uma suposta afirmação de Ronaldo “fenômeno”: “Não se faz copa com
hospitais”.
Eu nunca fui uma pessoa muito preconceituosa com relação a
certo tipo de profissional, e não sei se muita gente concorda, mas uma declaração como esta me faz pensar que
eles deveriam se reportar sobre certos assuntos com menor freqüência.
A mídia dá muita importância a quem infelizmente não tem
nada a dizer. Aí, além de tudo, ainda vem um infeliz desse com essa afirmação,
o que me faz perguntar: aonde estamos? ahh... no país do futebol, não é mesmo?!
Será que ele sabe que existem milhares de pessoas em
universidades tentando se profissionalizar para amenizar o sofrimento de tantas e tantos cidadãos enfermos?
Será que ele conhece o trabalho de pesquisadores que tanto
se dedicam a aliviar as dores alheias, inclusive a dele próprio, quando o mesmo
encontra-se contundido?
Será que este indivíduo raciocina que com a vinda de pessoas
do mundo inteiro, é aumentada a suscetibilidade da saúde do país, e que seremos
expostos a doenças endêmicas dos cidadãos que aqui desembarcarão de várias
localidades distintas?
A resposta é certamente N Ã O.
Futebol é lindo, e eu adoro.
Mas, se tiver de escolher entre este e a saúde da minha
família, desculpe, Ronaldo! Eu indubitávelmente dispenso a sua arte.
E mais: desde quando estádio é sinônimo de infra-estrutura?
Se não há transporte coletivo de qualidade, vias de tráfego
bem estruturadas, segurança, bons hospitais e profissionais de saúde bem
preparados para atender sequer a demanda dos próprios habitantes deste país, pessoas
treinadas e educadas para atender bem... se faz copa?
Olha, amigo... acho que nem com muito otimismo, viu?
Muitas vezes reclamo por ter escolhido um curso que exige
muito de mim, mas agradeço a Deus por não ter nenhum talento que me faça pular
esta etapa, a universidade. Lá eu aprendi muito mais sobre as necessidades do
ser humano do que poderia imaginar, e principalmente, aprendi que quando uma
informação é bem utilizada, reflete positivamente em mais vidas do que se
pensa. Portanto, é simplesmente revoltante para nós, profissionais, assistir à construção de obras suntuosas, enquanto a fila do sus só aumenta.
Eu não conheço a biografia deste jogador e não sei por quais
dificuldades ele passou e nem se teve as mesmas oportunidades que eu. Mas uma
coisa é certa: se não for para acrescentar algo de bom, que fique calado. Infelizmente,
a maioria das pessoas que vemos na mídia não sabem aproveitar a visibilidade que
possuem para transmitir algo de bom à sociedade, uma pena. E pior: alcançam
cada vez mais admiração e reconhecimento financeiro. Ê... Brasil...
Educação e saúde... o resto é lucro.
[DaisyLima, em 19/12/11]
"O
que não tem governo Nem nunca terá! O que não tem vergonha Nem nunca terá! O que não tem juízo..."
Às vezes há que retirar-se um instante, recolher-se um pouco.
Revisitar seus
conceitos, criar novos, desfazer-se dos que já não mais se encaixam.
Acalmar o coração,
organizar os sentimentos.
Há que
mobilizar-se, entrar em transe, como numa oração.
Colher a energia
que sobrou, reciclá-la, ou gerar novas fontes.
Criar outros
mantras.
Há que se dar
vencimento a velhas vulnerabilidades e perceber novas. E tentar saná-las.
Realizar uma
faxina interior. Experimentar um pouco da presença integral de si mesmo, numa
espécie de auto-doação cíclica.
Durante o processo, indagações emergem.
Uma das: o
que tenho carregado?
Sim, esta é uma
pergunta de extrema relevância, uma vez que só se leva aquilo o que se
consegue carregar.
Se a sensação é de
sobrepeso, há que se podar os excessos.
Este conceito, uma
vez aplicado, é a melhor maneira de nos ajudarmos a abandonar aqueles pesos que
insistimos em carregar como grandes fardos que nos foram "designados"
por sei lá quem.
Numa analogia simpática:
Toda grande
mudança começa com um simples movimento.
Separamos os
"objetos" do mesmo gênero, elegemos os que continuarão conosco,
armazenamo-os em caixas, e transportamo-os, para depois desembrulhá-los e
re-organizá-los em seu novo destino. Neste meio tempo, percebemos que alguns
ficam pelo caminho, pois não fazem sentido há muito, bem como,
impreterivelmente, o tempo trata de trazer novas situações, novos contextos...
Que ao matizar o ambiente, nos farão perceber o quanto as novas formas realçam
ou não os objetos antigos, numa espécie de seleção natural, mas de difícil
descarte, você sabe bem o motivo.
Enquanto tudo isso
acontece do lado de dentro, é preciso salvar toda energia que se tem, pois o
processo demanda um gasto imenso. Tempo, disposição e paciência são
necessários para que a metamorfose aconteça. A poeira é grande, mas o resultado
é promissor.