terça-feira, 31 de janeiro de 2012

encontro das águas



"Por que nos conhecemos? Por que o acaso o quis?"
"Foi porque, através da distância, sem dúvida, como dois rios que correm a unir-se, nossas inclinações particulares nos impeliram um para o outro."

[Gustave Flaubert, autor de "Madame Bovary"]




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"Aprendi com a dor
Nada mais é o amor
Que o encontro das águas..."

domingo, 29 de janeiro de 2012

de novo, e de novo, e de novo...





"As pessoas possuem cicatrizes. Em todos os tipos de lugares inesperados. Como mapas secretos de suas historias pessoais. Diagramas de suas velhas feridas. A maioria de nossas feridas podem sarar, deixando nada além de uma cicatriz. Mas algumas não curam. Algumas feridas podemos carregar conosco a todos os lugares, e embora o corte já não esteja mais presente há muito, a dor ainda permanece...
O que é pior, novas feridas que são horrivelmente dolorosas ou velhas feridas que deviam ter sarado anos atrás mas nunca o fizeram? Talvez velhas feridas nos ensinem algo. Elas nos lembram onde estivemos e o que superamos. Nos ensinam lições sobre o que evitar no futuro. É como gostamos de pensar. Mas não é o que acontece, é? Algumas coisas nós apenas temos que aprender de novo, e de novo, e de novo..."

[Shonda Rhimes, em Grey's Anatomy]


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o tempo não ensina a ser, revela.



"Tenho aprendido com o tempo que a felicidade vibra na frequência das coisas mais simples. Que o que amacia a vida, acende o riso, convida a alma pra brincar, são essas imensas coisas pequeninas bordadas com fios de luz no tecido áspero do cotidiano. Como o toque bom do sol quando pousa na pele. A solidão que é encontro. O café da manhã com pão quentinho e sonho compartilhado. A lua quando o olhar é grande. A doçura contente de um cafuné sem pressa. O trabalho que nos erotiza. Os instantes em que repousamos os olhos em olhos amados. O poema que parece que fomos nós que escrevemos. A força da areia molhada sob os pés descalços. O sono relaxado que põe tudo pra dormir. A presença da intimidade legítima. A música que nos faz subir de oitava. A delicadeza desenhada de improviso. O banho bom que reinventa o corpo. O cheiro de terra. O cheiro de chuva. O cheiro do tempero do feijão da infância. O cheiro de quem se gosta. O acorde daquela risada que acorda tudo na gente. Essas coisas. Outras coisas. Todas, simples assim.

Tenho aprendido com o tempo que a mediocridade é um pântano habitado por medos famintos, ávidos por devorar o brilho dos olhos e a singularidade da alma. Que grande parte daquilo em que juramos acreditar pode ser somente crença alheia que a gente não passou a limpo. Que pode haver algum conforto no acordo tácito da hipocrisia, mas ele não faz a vida cantar. Que se não tivermos um olhar atento e generoso para os nossos sentimentos, podemos passar uma jornada inteira sem entrar em contato com o que realmente nos importa. Que aquilo que, de fato, nos importa, pode não importar a mais ninguém e isso não tem importância alguma. Que enquanto não nos conhecermos pelo menos um pouquinho, rabiscaremos cadernos e cadernos sem escrever coisa alguma que tenha significado para nós.

Tenho aprendido com o tempo que quando julgamos falamos mais de nós do que do outro. Que a maledicência acontece quando o coração está com mau hálito. Que o respeito é virtude das almas elegantes. Que a empatia nasce do contato íntimo com as nuances da nossa própria humanidade. Que entre o que o outro diz e o que ouvimos existem pontes ou abismos, construídos ou cavados pela história que é dele e pela história que é nossa. Que o egoísmo fala quando o medo abafa a voz do amor. Que a carência se revela quando a autoestima está machucada. Que a culpa é um veneno corrosivo que geralmente as pessoas não gostam de ingerir sozinhas. Que a sala de aula é a experiência particular e intransferível de cada um.
Tenho aprendido com o tempo coisas que somente com o tempo a gente começa a aprender. Que o encontro amoroso, para ser saudável, não deve implicar subtração: deve ser soma. Que há que se ter metas claras, mas também a sabedoria de não se transformar a vida numa sala de espera. Que a espontaneidade e a admiração são os adubos naturais que fazem as relações florescerem. Que olhar para o nosso medo, conversar com ele, enchê-lo de cuidado amoroso quando ele nos incomoda mais, levá-lo para passear e pegar sol, é um caminho bacana para evitar que ele nos contraia a alma.
Tenho aprendido que se olharmos mais nos olhos uns dos outros do que temos feito, talvez possamos nos compreender melhor, sem precisar de muitas palavras. Que uma coisa vale para todo mundo: apesar do que os gestos às vezes possam aparentar dizer, cada pessoa, com mais ou menos embaraço, carrega consigo um profundo anseio de amor. E, possivelmente, andará em círculo, cruzará desertos, experimentará fomes, elegerá algozes, posará de vítima para várias fotos, pulará de uma ilusão a outra, brincará de esconde-esconde com a vida, até descobrir onde o tempo todo ele está."




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Sentido x Direção




"É impressionante a maneira como as pessoas processam as coisas de um modo particular, né, mãe?"
"Tá se referindo a quê?"
"Por exemplo: aqui, somos quatro filhos, dos mesmos pais. Recebemos, igualmente, a mesma educação. Certo?"
"Sim."
"E, no entanto, não é difícil perceber como cada um entendeu essa educação de maneiras tão diferentes... não é mesmo?"
"É uma grande verdade."
"Talvez seja isso o que determina o que cada um vai ser no futuro: essa capacidade de interpretar a inFormação." (Será que a gente já nasce com isso?)



[diálogo familiar matinal denso.
DaisyLima.]




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domingo, 8 de janeiro de 2012

Papel, caneta e imaginação.


leve a pena, livre o pássaro.




escrever... liberta-me, diariamente.

[DaisyLima.]

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"free as a bird
it's the next best thing to be...
free as a bird"

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Meus Grãos...




É com as palavras de Roseana Murray que retorno.

Gostaria, primeiramente, de agradecer pelas visitas, comentários, "curtidas" e  sua paciência.

É, paciência...
Grãos de Estrela, Day by Daisy, Na.morada das Palavras (ou o como quer que eu decida intitular esse blog), é um lugar onde eu venho para me refugiar um pouco. E quando venho, sinto que devo trazer algo. Logo, transformo o que vivencio e o que vejo em palavras. São queixas, desabafos (tristes e alegres), protestos, reclames, celebrações e mormente saudades. Esse lugar é um depósito de saudades. Na verdade, posts que versam sobre saudade se intercalam entre os demais, pois são maioria confessa.

Esse ano eu resolvi não fazer um "balanço" dos bons e ruins momentos do ano passado. Mas me recolhi e pesei os aprendizados. E estes, me fizeram tão mais resistente do que eu imaginava poder ser... Na verdade aprendi que aprender não consiste em se livrar daquilo que incomoda, mas aprender a transpor e sair o mais inteiro possível da situação. Clarice disse uma vez: "Sinto a falta dele como se me faltasse um dente na frente: excrucitante." É como se aprender fosse perceber que você precisa sorrir, mesmo sem os dentes.

Nem sempre aquilo o que você tem para mostrar é bonito, mas se você encontrar a melhor forma de mostrar, aquilo pode se transformar em algo mais valioso que beleza.

Eu aprendi a sorrir sem os dentes, a pegar o barco andando, a correr atrás, a deixar para trás, a enxergar em mim coisas que eu jamais havia percebido e a continuar reconstruindo o que eu achava que eram restos, mas que na verdade eram tudo o que eu tinha, eu.

Essa é a verdade. Meu blog é um grande desabafo, e cada vez que fujo pra cá posso não estar trazendo algo exatamente bonito, mas acredito que estou trazendo da forma mais eu de todas, e agradeço a acolhida. E além disso, o seu tempo, sua paciência, e a sua compreensão, mesmo que nem sempre se identifique com o que trago, garanto: estou trazendo o meu melhor! E que fique claro: minhas reflexões não têm um "alvo", não escrevo para atingir ou alcançar ninguém. Mas, se, por outro lado, alguém conseguir encontrar algo de útil, aqui... maravilha!

E como é bom transformar sentimento em palavra, e ver para cada revolta verter-se em manifesto, cada tristeza transformar-se numa poesia, (isso funciona melhor do que eu pensava com sentimentos negativos... é na verdade uma terapia alternativa... rs).
E ver enfim... alegria render longas dissertações... 

E assim, vou vivendo de palavras. 

Porque melhor que reclamar, chorar, pestanejar, agredir ou revidar... é escrever.





"e não acomodar com o que incomoda... mais."

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"Ok, one more time..."

Com as resoluções de renovação que o novo ano nos traz, surge a vontade de modificar várias coisas... ir a novos lugares, desfazer-se do que já não serve ou do que será mais útil a outra pessoa, ver e ouvir coisas novas... não é fácil mudar, por isso, talvez seja melhor começar por coisas pequenas, como o player.


Selecionei músicas antigas, as quais não quero deixar de ouvir, e as que não fazem mais sentido, apaguei. Para que (fazendo jus ao penúltimo post de 2011) elas pudessem dar lugar a novidades. É bom conhecer outros estilos e incorpora-los a sua vida musical, mas não sou a favor de mudanças muito bruscas, afinal, cada um tem sua identidade musical. 


Confesso que a maior parte da memória do player ficou ociosa... mas pra quê a pressa em preencher tudo, com tanta rapidez? O ano está apenas começando. Muita coisa ainda está por vir. E domar a ansiedade é um propósito antigo. O importante é começar. 


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Esta música é uma demo do The Strokes que acabou sendo incluída no lado B do single "Heart in a Cage". Por não ser uma versão oficial (que, by the way, ficou muuuito melhor que a original- "You Only Live Once"), percebe-se que o som não é muito nítido, mas dá pra ouvir que, ao final, Julian Casablancas, o vocal, diz: "Ok, one more time..."

E eu nunca mais consegui parar de ouvir.
Não é uma música exatamente feliz, mas a minha identidade musical nunca foi só alegrias, anyway... enjoy it!




"Don don don don't
It's not safe no more
I've got to see you one more time
Soon you were born 
In 1984..."


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