segunda-feira, 21 de março de 2011

Rio... e me sinto mar.


"Uma das mais saborosas sensações de liberdade que eu conheço é flagrar meu coração feliz, sem precisar de nenhum motivo aparente. De vez em quando, a mente, que tantas vezes mente, me permite lembrar que essa felicidade essencial está o tempo todo disponível, preservada, por trás das nuvens que a negatividade infla. Rio e me sinto mar."


[Ana Jácomo]


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segunda-feira, 14 de março de 2011

In(verso)...



O meu passado é tudo quanto não consegui ser. 
 Nem as sensações de momentos idos me são saudosas: o que se sente exige o momento;
passado este, há um virar de página e a história continua, mas não o texto.

[Fernando Pessoa.]
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Um dia um tanto (Pessoa)l...



Escrever é esquecer. A literatura é a maneira mais agradável de ignorar a vida. A música embala, as artes visuais animam, as artes vivas (como a dança e a arte de representar) entretêm. A primeira, porém, afasta-se da vida por fazer dela um sono; as segundas, contudo, não se afastam da vida - umas porque usam de fórmulas visíveis e portanto vitais, outras porque vivem da mesma vida humana. Não é o caso da literatura. Essa simula a vida. Um romance é uma história do que nunca foi e um drama é um romance dado sem narrativa. Um poema é a expressão de ideias ou de sentimentos em linguagem que ninguém emprega, pois que ninguém fala em verso.


[Fernando Pessoa.]

 14 de Março, dia da Poesia...

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domingo, 13 de março de 2011

até um castelo.



"E, depois, ele não veio mais.
... e eu não tive tempo de dizer
que quando a gente precisa que alguém fique,
a gente constrói qualquer coisa, até um castelo."
  
[Caio Fernando Abreu]


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sábado, 12 de março de 2011

Quando termina.



"...Mas se eu tivesse ficado, teria sido diferente? Melhor interromper o processo em meio: quando se conhece o fim, quando se sabe que doerá muito mais — por que ir em frente? Não há sentido: melhor escapar deixando uma lembrança qualquer, lenço esquecido numa gaveta, camisa jogada na cadeira, uma fotografia — qualquer coisa que depois de muito tempo a gente possa olhar e sorrir, mesmo sem saber por quê. Melhor do que não sobrar nada, e que esse nada seja áspero como um tempo perdido.
Tinha terminado, então. Porque a gente, alguma coisa dentro da gente, sempre sabe exatamente quando termina. Mas de tudo isso, me ficaram coisas tão boas. Uma lembrança boa de você, uma vontade de cuidar melhor de mim, de ser melhor para mim e para os outros. De não morrer, de não sufocar, de continuar sentindo encantamento por alguma outra pessoa que o futuro trará, porque sempre traz, e então não repetir nenhum comportamento. Ser novo..."

 [C.F.A.]

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Uma desordem aguda...



"era como se nada fosse voltar, e seu tudo fosse o "daqui pra frente"...
um tufão passou e não era mais possível habitar àquele lugar.
não haveria tempo para preencher malas com memórias... mesmo porque, a ventania havia se encarregado de levar a maioria, com a sua fúria. Esvaziasse-se do que pudesse.
levasse apenas o que, de fato, conseguisse carregar. Não havia espaço.
E viesse o mais rápido possível, antes que castrástofes maiores sucedessem àquela.

a regra mais importante era:  não tente atravessar uma ponte que ficou  para trás. É perigoso."


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5 coisas que aprendi com lápis...



"Primeira qualidade:
Você pode fazer grandes coisas, mas não deve esquecer nunca que existe uma Mão que guia seus passos. Esta mão nós chamamos de Deus, e Ele deve sempre conduzi-lo em direção à Sua vontade".

"Segunda qualidade:
De vez em quando eu preciso parar o que estou escrevendo, e usar o apontador. Isso faz com que o lápis sofra um pouco, mas no final, ele está mais afiado.
Portanto, saiba suportar algumas dores, porque elas o farão ser uma pessoa melhor."

"Terceira qualidade:
O lápis sempre permite que usemos uma borracha para apagar aquilo que estava errado.
Entenda que corrigir uma coisa que fizemos, não é necessariamente algo mau, mas algo importante
para nos manter no caminho da justiça".

"Quarta qualidade:
O que realmente importa no lápis não é a madeira ou sua forma exterior, mas o grafite que está  dentro.
Portanto, sempre cuide daquilo que acontece dentro de você."

"Finalmente, a quinta qualidade do lápis:
ele sempre deixa uma marca. Da mesma maneira, saiba que tudo que você fizer na vida irá deixar traços, e procure ser consciente de cada ação".



[Paulo Coelho.]




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sexta-feira, 11 de março de 2011

Um singular que já foi plural.



Quando me vi em ti, me perdi do meu eu singular.
e, por curtos intantes, passei a ser plural.
e apesar de breve, este encontro me aliviou daquela sensação de ser sozinha no mundo.
talvez não porque tivéssemos tanto em comum,
mas porque você me apresentou à mim.


agora, saudade me faz companhia...
saudade do nosso plural virando singular...
saudade do meu singular virando plural.

[Daisy Lima.]


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Há um rio que deságua em você.




que cada nota seja um rio,
quando cada ouvido for um mar.
hoje, sem muitas palavras... 
deixo a música fluir mais alto.


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quarta-feira, 9 de março de 2011

silenciosa ode às diferenças.

Esta imagem, de um grão de sal e outro de pimenta, foi a ganhadora geral do concurso de fotografia Visions of Science Photographic Awards, realizado na Grã-Bretanha.


 sal e pimenta...                        
tão diferentes e ao mesmo tempo...
tão complementares. Sinérgicos, eu diria.
e não seriam as diferenças, o tempero da vida?! 



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cinza das horas...



O cinza das horas, dos momentos, das ausências, dos dias nublados, das quartas-feiras de ... CINZAS.
O cinza que que vira pretexto para ignorarmos o fato de que o sol no céu permanece, e que as flores os jardins enfeitam e o ar perfumam...
Por mais escuro que um dia permaneça... tudo está lá. Feche os olhos. Lembre-se.
Ahh...o cinza das cinzas que às coisas recobre... livros, capítulos, páginas, parágrafos, estrofes, linhas, entrelinhas da vida.
Sopremos! poeira sobe... emergindo o que ali estava... encoberto, oculto, escondido, reprimido, secreto, intrínseco, recôndito;
Cinzas.. quase um refugio.


sopre, acenda, deixe brilhar. Ascenda.


[Daisy Lima.]

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"Tá tudo cinza sem você
 Tá tão vazio e a noite fica sem porque..."


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terça-feira, 8 de março de 2011

(M)

M de Mulher



Seus Malabarismos Mágicos Manipulam Marionetes.
Meninas, Mães, Madres, Marquesas e Ministras.
Madalenas ou Marias.
Marinas ou Madonas.
Elas são Manhãs e Madrugadas.
Mártires e Massacradas.
Mas sempre Maravilhosas, essas Moças Melindrosas.
Mergulham em Mares e Madrepérolas, em Margaridas e Miosótis.
E são Marinheiras e Magníficas.
Mimam Mascotes.
Multiplicam Memórias e Milhares de Momentos.
Marcam suas Mudanças.
Momentâneas ou Milenares, Mudas ou Murmurantes,
Multicoloridas ou Monocromáticas, Megalomaníacas ou Modestas,
Musculosas, Maliciosas, Maquiadoras, Maquinistas,
Manicures, Maiores, Menores, Madrastas,
Madrinhas, Manhosas, Maduras, Molecas,
Melodiosas, Modernas, Magrinhas.
São Músicas, Misturas, Mármore e Minério.
Merecem Mundos e não Migalhas.
Merecem Medalhas.

São Monumentos em Movimento, esses Milhões de Mulheres Maiúsculas.


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Ser mulher...
Viver mil vezes em apenas uma vida, é lutar por causas perdidas e sempre sair vencedora, é estar antes do ontem e depois do amanhã, é desconhecer a palavra recompensa apesar dos seus atos. 
Ser mulher é chorar de alegriae muitas vezes sorrir com tristeza, é adiar sonhos em prol de terceiros, é acreditar quando ninguém mais acredita, é esperar quando ninguém mais espera.  
Ser mulher é estar em mil lugares de uma só vez, é fazer mil papéis ao mesmo tempo, é ser forte e fingir que é frágil pra ter um carinho. 
Ser mulher é acima de tudo um estado de espírito,é uma dádiva,é ter dentro de si um tesouro escondidoe ainda assim dividí-lo com o mundo!

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Aos homens...

Cresci rodeada de grandes personagens. Mulheres fortes, exemplares, cada uma desempenhando um papel singular, nobre, vital...  exercendo árduas jornadas, criando seus filhos, cuidando de suas famílias, sempre cultivando e transmitindo valores. Donas de vontade e esforços sobrenaturais para garantir seus lugares ao sol.


Executivas, donas de casa, comerciantes, médicas, cientistas, biólogas, escritoras, administradoras, professoras, jornalistas, publicitárias, musicistas, bailarinhas,esposas, mães... mulheres.
sempre muito empenhadas em realizar com maestria o papel o qual lhes foi designado, deixando inevitavelmente suas marcas.

Todos os dias é dia de dizer: que bom ter aprendido com cada uma! Já diz Simone de Beauvoir: "Não se nasce mulher: torna-se." e é graças aos exemplos observados, aos valores absorvidos, aos conselhos dipostos que me norteio, sempre.

Ser Mulher de verdade dispensa convenções (como ter um dia em especial), machismos, preconceitos, grandes discursos.... aliás, ser mulher dispensa comentários.
Ser mulher é funcionar 365 dias no intuito tornar o mundo um lugar mais bonito, justo, humano.

portanto, homens: filhos, irmãos, chefes, pais, padrastos, tios, primos, amigos, namorados, maridos...
sintam-se privilegiados ao ter uma mulher ao seu lado. e reserve-se sempre que puder um tempo para aprender com ela. respeite-a, acolha-a, ame-a. porque cada mulher tem um mundo dentro de si.



"Cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é."


 
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sábado, 5 de março de 2011

quinta-feira, 3 de março de 2011

Um resto que é tudo.



Nada muda no mundo quando você não caminha ao meu lado. As pessoas quase não percebem que falta metade do meu corpo e que eu não posso ser muito simpática porque toda a minha energia está concentrada para eu não tombar.
Os cachorros cheiram outros mijos, as pessoas estranhas fazem exercícios apertando as mãos levantadas para cima, alguns homens de terno insistem em usar óculos de surfistas como se fossem o super-homem que deixa aparecer um pedaço do S no peito. Ninguém deixa de espreguiçar só porque você não está aqui, ninguém deixa de molhar a torrada no café e de falar com voz idiota enquanto boceja. E eu odeio o mundo por isso, eu acho o mundo muito medíocre, eu tenho pena de todas essas pessoas que não sabem o que é encaixar o rosto no vão das suas costas e querer ser embalsamado ali por mil anos. 
Amor de verdade não acaba, é o que dizem, mas eu tenho medo. Eu tenho medo de quantos mijos, bocejos, cinzas e óculos de surfistas eu ainda vou ver sem você, eu tenho medo dos meus pedaços espalhados pelo mundo, eu tenho medo do vento passar enquanto eu estou míope, e eu ficar míope pra sempre. Eu tenho medo de tudo isso apagar e o vento levar suas cinzas, desse fogo todo ser de palha, como dizem, da dor que se dissipa a cada respirada mais funda e cheia de coragem de ser só. Eu tenho medo da força absurda que eu sinto sem você, de como eu tenho muito mais certeza de mim sem você, de como eu posso ser até mais feliz sem você. Pra não pensar na falta, eu me encho de coisas por aí. Me encho de amigos, bares, charmes, possibilidades, livros, músicas, descobertas solitárias e momentos introspectivos andando ao Sol. E todo esse resto de coisas deixa aos poucos de ser resto, e passa a ser minha vida, e passa a enterrar você de grão em grão, sujando seus dentes e olhos e nada eu posso com a pá que está na minha mão.


[Tati Bernardi.]


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