segunda-feira, 25 de julho de 2011

A(cesso) R(estrito).


"Sometimes, even if you have the keys, those doors still can’t be opened. 
Can they?
Even if the door is open, the person you’re looking for may not be there."


[“My Blueberry Nights”, 2007.]
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domingo, 24 de julho de 2011

#Partiu.

"No dia em que eu fui embora, não levei a chave, não deixei bilhete. 
Não houve despedida, foi melhor assim. 
Pra que dizer o quanto foi bom ou o tanto que feriu à você e a mim?
No dia em que fui embora, não houve poesia, música, ou flor. 
Quando parti, fui sem escolha, por necessidade. 
Quando fui embora, não houve abraço, nem tchau. 
Ir embora é mais difícil do que pensamos, é estranho. 
É na verdade, bem mais profundo do que se retirar. 
Ir embora, é não voltar."



[Por Angélica Lins em Vórtice.]



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Há alguns dias, li e salvei este pequeno e lindo texto de Angélica Lins, porque sabia que em algum momento ele se encaixaria em alguma vivencia minha. "Partir" é uma atividade rotineira, e tem tudo a ver com a vida. 
Essa semana aconteceu um episódio que esteve muito bem relacionado à tônica do texto, eu não poderia ter encontrado ocasião melhor para publicá-lo, e adicionar a ele um pouco das minhas experiências e do meu "refletir".

Tenho chegado a conclusão de que de vez em quando, é necessário eutanaziar alguns sentimentos. Dar lugar a outras memórias, momentos, pessoas. Tudo isso precisa de um espaço. Portanto, é necessário livrá-lo para que este seja ocupado pelo novo. Durante este processo, algumas partidas inevitavelmente acontecem. Ciclos se fecham. Partir é ir sem olhar pra trás. Às vezes a vida nos traz de volta, noutras remonta, noutras emudece o pensamento. É preciso permitir-se, porque não existe partir pela metade.

Semana passada, abri minha conta de uma rede social da qual eu fazia parte. Relembrei fotos e fatos que se passaram por lá. Depoimentos e comentários de amigos que se foram, rostos de algumas pessoas que vão ficar pra sempre, outros que estavam ali apenas avolumando o número de "amigos"... Há tempos vinha relutando em encerrá-la. Minhas visitas ali se tornaram cada vez mais espaçadas e desinteressantes, mas algo me impedia de me retirar por completo. É quase sempre muito difícil reconhecer que uma etapa acabou. Desvencilhar-se de coisas que um dia você considerou importantes encontra barreiras emocionais maiores do que podemos supor. Materialistas, esquecemos que de alguma forma guardamos tudo o que realmente foi importante em um lugar abstrato.

Chega uma hora em que você encontra a necessidade de se despedir de um estilo de vida que você desenhou, mas que por algum motivo, não mais se encaixa ali. E foi justamente isso o que me moveu naquele dia. Você simplesmente decide, sem precisar de muitas justificativas, que aquilo não é mais para você; e que a sua permanência naquele lugar pode ser no máximo perturbadora, ou no mínimo sem sentido.

E as coisas simplesmente vão mudando de prioridade. É como um evoluir. Hora silencioso, noutras, espalhafatoso. Uns mais vagarosamente, outros, quase que instantaneamente. Olhamos para trás e subitamente percebemos como as nossas importâncias mudaram. Mais exigentes ou complacentes, mudamos, sempre.

O fato é que é chegado um momento em que despertamos uma compreensão de que há coisas que não precisam ser carregadas eternamente, simplesmente porque não são mais úteis ou porque nos escravizam, nos levam a lugares onde não gostaríamos mais de ir. Por outro lado, há outras que carregam um pouco da nossa identidade com elas, e que, portanto, ficam, como uma cicatriz, que está ali para nos lembrar do degrau que transpusemos, mesmo após uma queda vertiginosa.

Ir embora é despir-se de coisas, pessoas ou situações que simplesmente pararam de fazer sentido em nossas vidas. Sem questionar se está certo ou errado. Sem cogitar arrependimentos ou culpas.
Partir de verdade é contar com a convicção de olhar apenas a diante. É ter certeza de que um ciclo se fechou. E de que aquilo pode até doer, mas de que você está no controle.

Muito mais que tudo isso, ir embora é dar boas vindas ao que é novo. É ser consciente de que  ir é ao mesmo tempo chegar a algum outro lugar, para então recomeçar, inaugurar uma fase onde as suas expectativas podem ser superadas.



[Daisy Lima.]



"there are far, far better things ahead than any we leave behind."

[C.S.Lewis.]



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