Às vezes você é dotado de talento para falar sobre muitas coisas... sentimentos, memórias, pessoas, lugares.
Há quem possa discorrer horas a fio a respeito de um simples objeto.
Mas há aqueeeelas coisas as quais você não tem habilidade para escrever uma linha sequer a respeito. (Nunca esqueci daquela redação do vestibular que te dizia pra falar sobre o "pé". Ainda bem que não era o único tema...)
Pra mim é mais ou menos parecido quando tento escrever sobre o tempo.
O tempo encontra mais de vinte significados no Michaelis. Doze dos quais estão abaixo:
tem.po1
sm (lat tempu) 1 Medida de duração dos seres sujeitos à mudança da sua substância ou a mudanças acidentais e sucessivas da sua natureza, apreciáveis pelos sentidos orgânicos. 2 Uma época, um lapso de tempo futuro ou passado. 3 A época atual. 4 A idade, a antiguidade, um longo lapso de anos. 5 A existência humana considerada no curso dos anos. 6 Época determinada em que ocorreu um fato ou existiu uma personagem (com referência a uma hora, a um dia, a um mês ou a qualquer outro período). 7 Ocasião própria para um determinado ato; ensejo, conjuntura, oportunidade. 8 Sazão, quadra, período próprio de certos atos, de certos fenômenos, da existência de certas qualidades. 9 Estação, quadra do ano adequada a certas fases da natureza e aos trabalhos que delas dependem. 10 Estado meteorológico da atmosfera; vento, ar, temperatura. 11 Horas de lazer, horas vagas. 12 Delonga, dilação, prazo (essa eu achei boa! rs).
Contudo, dentre tantos significados, algum deles diz algo a respeito do que você realmante sente a respeito do tempo?!
A mim, não. Não digo que não hajam boas definições... mas a maioria passa longe do real.
O tempo, na verdade é o maior tripudiante de todos os tempos (rs).
Tanta sincronia, tanto anacronismo.
O tempo pode ser o melhor remédio, o melhor placebo, o melhor paliativo, ou pior veneno (quando mata.)
É. Porque o tempo restaura, faz renascer. Mas mata também!
Quantas coisas você queria enterrar, e enterrou... por que o tempo foi lá e te deu uma mãozinha com a pá.
Por outro lado, memórias das quais você nem pensava em se perder, mas a rotina, as novas ocupações, e até mesmo as novas memórias evitaram que você recordasse com tanta frequência, transformando-as em lembrança esporádica, ou até mesmo não te permitindo mais lembrar... efeitos do tempo.
Para o bem ou para o mal.
Sem falar no que ele faz das memórias banais...
Não é difícil perceber o maniqueísmo intrínseco simultaeamente ao tempo: quimera e pesadelo.
Não, eu não quero saber falar sobre o tempo.
O receio de cometer injustiças me desencoraja. Certamente há quem o faça melhor.
Porque metade de mim é sincronismo, mas a outra metade é anacrônica.
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