domingo, 13 de janeiro de 2013

os dois lados e meio da moeda.

Quase dois meses longe da caneta. Poderiam ser justificados como o writer's block ou a famosa falta de tempo, mas não. Falta de vontade mesmo, ausência crônica de motivação. Recolhimento diante de conflitos existenciais. Presença de cenas cotidianas que modificam seu humor e maneira de pensar, pelo menos temporariamente. 

Eu explico:



9 de Dezembro de 2012, meu primeiro plantão no centro atendimento toxicológico do IJF. Não, isso não vai ser mais um manifesto revoltadinho sobre as condições precárias da saúde no país. O assunto aqui é a própria condição humana. Nada menos que DOZE de dezesseis atendimentos realizados foram tentativas de subtrair a própria vida. A cada nova ocorrência, um choque. Eu estava assistindo ali, de camarote, um verdadeiro espetáculo da miséria humana. Mal conseguia pensar ao fim do dia. Tudo o que desejava era sair dali.

Ok, a vida é de cada um e cada um faz dela o que bem entender, mas é extremo passar a semana inteira vendo pessoas lutando contra um câncer pra viver um ou dois meses mais e em um único dia presenciar doze pessoas perfeitamente saudáveis abrirem mão de tudo. É um tapa na cara. E eu concedi a mim mesma esse tempo para refletir e entender.

E acho que entendi. 
Entendi acima de tudo que empatia é sempre necessária. Entendi que é preciso colocar-se no lugar daqueles que ali estão para entender sua condição e seu propósito, mesmo que isso signifique mergulhar em seus escombros emocionais. E que precisamos descer do pedestal em que nos encontramos para não julgar.

E diante de tudo, percebi que, entre os dois lados da moeda, ninguém quer de fato ir. É característica do ser humano a dificuldade de despedir-se, de desapegar-se, e por mais que seja penosa a sua existência, ninguém é vazio de sonhos. Viemos aqui porque temos algo a cumprir e essa tarefa cabe a cada um de nós, individualmente, e essa é uma mensagem que todos sabemos, mesmo que soe como um eco distante no meio da correria e das chateações.

Passei a enxergar que, na verdade, o que o paciente que  luta pela vida quer (e precisa), é invariavelmente o mesmo que aquele que tenta se desfazer dela: ser cuidado.

O ser humano padece de uma carência imensurável e, mesmo que duro na queda, uma hora há de manifestá-la. Quando comecei a perceber cada olhar esperando por ser correspondido, ouvidos carentes de uma palavra, bocas sedentas por narrar suas histórias e fazer com que seus motivos fossem compreendidos e não taxados de banais, compreendi que os motivos são os mesmos, embora as condições sejam distintas. E mais... vi como as pessoas carecem de demonstrações de quão importantes são!

Pode ter soado piegas, mas essa foi a minha leitura da nova vivência. Não vou dizer que foi bom. Na verdade, hoje finalmente cumpri meu ultimo plantão e isso me trouxe a maior sensação de alívio da minha vida. O texto soa mais como um desabafo do que qualquer outra coisa. É acima de tudo, uma reflexão sobre a vida. 
E se toda vivência tem que deixar algum aprendizado, que o desta seja o de valorizar, cuidar, e, acima de tudo, conscientizar as pessoas que amamos do quanto elas são importantes, sem economias.


é sempre bom estar de volta :)
[DaisyLima.]
***



"If i could tell the world just one thing
It would be that we're all ok
And not to worry 'cause worry is wasteful
And useless in times like these
I won't be made useless
I won't be idle with despair
I will gather myself around my faith
For light does the darkness most fear..."

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

sexta-feira, 23 de novembro de 2012

Solitude, sim.



"Solitude é o isolamento ou reclusão voluntário, quando o indivíduo busca estar em paz consigo mesmo. Diferente da solidão que em sua essência é o estado emocional do indivíduo que deseja ardentemente uma companhia e não a tem. Um indivíduo pode estar cercado de amigos, em meio a um salão de festas muito animado, e ainda assim estar corroído pela solidão.
Em alguns casos, o indivíduo escolhe isso pelas experiências que lhe foram desagradáveis em algum tempo atrás. Sendo então a solitude uma maneira de evitar que o mesmo incidente ocorra novamente."

[Fonte: Wikipédia]


***

cem palavras.


"Que eu queria poder te dizer cem palavras
Eu queria poder te cantar cem canções
Eu queria viver morrendo em sua teia
Seu sangue correndo em minha veia
Seu cheiro morando em meus pulmões
Cada dia que passo sem sua presença
Sou um presidiário cumprindo sentença
Sou um velho diário perdido na areia
Esperando que você me leia
Sou pista vazia esperando aviões"


tormento e paz

profundidade e superficialidade

medo e coragem

esquecimento e lembrança

cronologia e anacrônismo

dor e alívio

nunca e ainda

nada e tudo

vazio e completude

revolto e calmo

ausência e presença

distância e proximidade

relatividade e convicção

sonho e pesadelo

mal e bem

diálogo e monólogo

prosa e poesia

silêncio e música

diminuto e superlativo

temporais e primaveras

riso e pranto

frio e calor

amargo e doce

tímido e vulgar

lucidez e loucura

fugacidade e vagarosidade

desapego e saudade

individualidade e sinergismo

desdém e vontade

confuso e claro

comum e raro

passado e futuro

chaga e cicatriz

ebriedade e sobriedade

desânimo e ânsia

espinhos e flores

presunção e humildade

nós e laços

monocromático e colorido

crítica e elogio

culpa e compreensão

mágoa e perdão

 solidão e solitude

braço e abraço

fim e (re)começo

monólogos e diálogos

lua e sol

pecado e remissão

meio e inteiro



eu e você
você e eu



cem palavras.


antônimos que não se neutralizam.


Cada pessoa que passa por nós nos deixa uma história. Às vezes pra contar, outras pra calar.

***

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Queen of Hearts



um dia, um moço no ônibus pediu ajuda.
vendia chaveiros com estampas de cartas de baralho:
"escolhe um?!"

dentre tantos naipes e personagens, um em particular sempre me despertou o interesse: altiva, serena e ao mesmo tempo tão imponente, portadora de uma exuberância peculiar, persistente. jamais abandonara o baralho. dona de si, e de uma maldade quase cômica. "queen of hearts".

sem balbuciar, disparei: "quero a rainha de copas!"



***

"Off  with their heads!" hehehe

domingo, 26 de agosto de 2012

terceira pessoa do singular.




“Ela é uma moça de poses delicadas, sorrisos discretos e olhar misterioso. 
Ela tem cara de menina mimada, um quê de esquisitice, uma sensibilidade de flor, um jeito encantado de ser, um toque de intuição e um tom de doçura. 
Ela reflete lilás, um brilho de estrela, uma inquietude, uma solidão de artista e um ar sensato de cientista. 
Ela é intensa e tem mania de sentir por completo, de amar por completo e de ser por completo. 
Dentro dela tem um coração bobo, que é sempre capaz de amar e de acreditar outra vez. 
Ela tem aquele gosto doce de menina romântica e aquele gosto ácido de mulher moderna.”


[CFA.]


***

terça-feira, 21 de agosto de 2012

hoje é 21.



Gratidão é sentimento que ocupa espaços grandes, e que, as vezes, não cabe só no coração.
Escorre pelos olhos em lágrima, espalha-se pelas mãos e braços em abraços, toma a face em sorriso e o corpo em emoção.
Sempre acreditei que nossa construção se dá a partir de nossas (con)vivências. E são elas que nos tornam tão grandes quanto os espaços que ocupam.

Hoje, meu nome é gratidão.


Agradeço a quem persistiu em mim, a quem me lançou um segundo olhar, e que, com calma, resolveu me dar uma segunda, terceira, quarta chance (e tantas mais...).

E a quem enxergou atenção na minha curiosidade apaixonada, meiguice na minha preguiça de ser incisiva, inteligência na minha sagacidade, persistência na minha insistência, caráter na minha mania de fazer tudo a risca, garra na minha objetividade, poesia nos meus rabiscos, dedicação na minha assiduidade chata, precaução na  minha insegurança, prudência na minha negligência, timidez na minha inibição, calma na minha passividade, charme no meu desengonço, perfeccionismo no meu criticismo, sensatez na minha indecisão, carinho na minha carência, cautela na minha vagarosidade, maturidade na minha seriedade, alguma delicadeza na minha "escroteza", espontaneidade na minha loucura.

Agradeço aqueles os que me deram, me dão e me darão oportunidade de crescer, de demonstrar quem realmente sou e, principalmente, por ter em quem me espelhar.


Agradeço aqueles que me presenteiam com a palavra certa, no momento certo e aqueles que respeitam o meu silêncio, quando o elejo.


Agradeço aqueles que acreditam nas minhas idealizações e de alguma forma contribuem para que eu as realize.


Agradeço aqueles que são totalmente distintos de mim, mas que ainda assim me dedicam respeito e até alguma admiração.


Agradeço àqueles que me ensinaram que trabalho não é o caminho mais curto, mas o melhor e mais digno para alcançar meus objetivos.


Agradeço a quem qualquer lição me ensina e a quem me dá a oportunidade de surpreender.


Agradeço a quem me ensina que o valor dos sentimentos é SEMPRE superior ao das "coisas".


Agradeço a quem de alguma forma fez o meu 21 mais florido, seja com sorrisos, palavras bonitas, carinho, atenção, energias boas.


E a Deus, por todo o aprendizado, amigos, família e até pelos obstáculos diários, porque, se não fosse por eles, minhas vitórias não teriam um gosto tão doce e a história que tenho escrito poderia ter um desfecho sem graça.


Tenho tanto, tanto, tanto a agradecer, que teria que ter passado o dia inteiro (quem sabe a semana) de joelhos.


Obrigada ao que já veio e o que virá.

Obrigada por, de alguma forma, me tornar maior.

Obrigada, obrigada, obrigada!




"And in the end 
The love you take
Is equal to 
The love you make."



[Lennon/ McCartney]



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quinta-feira, 9 de agosto de 2012

A gosto!




em agosto as luas são mais bonitas, e o céu mais estrelado.
o florescer é mais perfumado, e o mar ondula numa sincronia que mais parece uma dança.
as brisas são suaves, o pôr-do-sol assume um alaranjado especial e as nuvens desenham formas mais interessantes.
agosto é como verão... "quente o coração".

agosto conjuga início e recomeço.
agosto é onde as coisas boas acontecem.

bem vindo seja!



***