Há alguns dias, li e salvei este pequeno e lindo texto de Angélica Lins, porque sabia que em algum momento ele se encaixaria em alguma vivencia minha. "Partir" é uma atividade rotineira, e tem tudo a ver com a vida.
Essa semana aconteceu um episódio que esteve muito bem relacionado à tônica do texto, eu não poderia ter encontrado ocasião melhor para publicá-lo, e adicionar a ele um pouco das minhas experiências e do meu "refletir".
Tenho chegado a conclusão de que de vez em quando, é necessário eutanaziar alguns sentimentos. Dar lugar a outras memórias, momentos, pessoas. Tudo isso precisa de um espaço. Portanto, é necessário livrá-lo para que este seja ocupado pelo novo. Durante este processo, algumas partidas inevitavelmente acontecem. Ciclos se fecham. Partir é ir sem olhar pra trás. Às vezes a vida nos traz de volta, noutras remonta, noutras emudece o pensamento. É preciso permitir-se, porque não existe partir pela metade.
Semana passada, abri minha conta de uma rede social da qual eu fazia parte. Relembrei fotos e fatos que se passaram por lá. Depoimentos e comentários de amigos que se foram, rostos de algumas pessoas que vão ficar pra sempre, outros que estavam ali apenas avolumando o número de "amigos"... Há tempos vinha relutando em encerrá-la. Minhas visitas ali se tornaram cada vez mais espaçadas e desinteressantes, mas algo me impedia de me retirar por completo. É quase sempre muito difícil reconhecer que uma etapa acabou. Desvencilhar-se de coisas que um dia você considerou importantes encontra barreiras emocionais maiores do que podemos supor. Materialistas, esquecemos que de alguma forma guardamos tudo o que realmente foi importante em um lugar abstrato.
Chega uma hora em que você encontra a necessidade de se despedir de um estilo de vida que você desenhou, mas que por algum motivo, não mais se encaixa ali. E foi justamente isso o que me moveu naquele dia. Você simplesmente decide, sem precisar de muitas justificativas, que aquilo não é mais para você; e que a sua permanência naquele lugar pode ser no máximo perturbadora, ou no mínimo sem sentido.
E as coisas simplesmente vão mudando de prioridade. É como um evoluir. Hora silencioso, noutras, espalhafatoso. Uns mais vagarosamente, outros, quase que instantaneamente. Olhamos para trás e subitamente percebemos como as nossas importâncias mudaram. Mais exigentes ou complacentes, mudamos, sempre.
O fato é que é chegado um momento em que despertamos uma compreensão de que há coisas que não precisam ser carregadas eternamente, simplesmente porque não são mais úteis ou porque nos escravizam, nos levam a lugares onde não gostaríamos mais de ir. Por outro lado, há outras que carregam um pouco da nossa identidade com elas, e que, portanto, ficam, como uma cicatriz, que está ali para nos lembrar do degrau que transpusemos, mesmo após uma queda vertiginosa.
Ir embora é despir-se de coisas, pessoas ou situações que simplesmente pararam de fazer sentido em nossas vidas. Sem questionar se está certo ou errado. Sem cogitar arrependimentos ou culpas.
Partir de verdade é contar com a convicção de olhar apenas a diante. É ter certeza de que um ciclo se fechou. E de que aquilo pode até doer, mas de que você está no controle.
Muito mais que tudo isso, ir embora é dar boas vindas ao que é novo. É ser consciente de que ir é ao mesmo tempo chegar a algum outro lugar, para então recomeçar, inaugurar uma fase onde as suas expectativas podem ser superadas.
[Daisy Lima.]
"there are far, far better things ahead than any we leave behind."
Um dia eu estava ouvindo a essa música do Maroon 5 (She will be loved) e me deparei com a seguinte frase: "It's not always rainbows and butterflies... It's compromise that moves us along." (Não só borboletas e arco-íris nos movem, mas compromisso.) Juro que fiquei horas pensando sobre em que contexto isso se encaixaria no "meu contexto". Durante essas horas, me remeti a um fluxo de consciência tão grande, que não pude deixar de registrar. Eis o produto dos meus momentos reflexivos... (nossa, que solene! rs)
O que te faz levantar a cada manhã, por o pé no chão gelado e sair de casa sem saber o que vai encontrar pela frente?!
Com certeza existem muitas pessoas de vida difícil, que têm que batalhar cada hora do dia para justificar suas existências. Assim como tem gente que tem tão mais e ainda assim, encontra motivos para queixas...
Eu indago: o que faz cada um continuar, apesar de seus dramas pessoais, suas jornadas exaustivas, seus chefes incompreensivos, seus professores malucos, suas famílias indiferentes?!
A vida nos impõe novos desafios todos os dias, a todo instante. Por vezes não é encorajador o fato de sabermos que podemos nos deparar com perdas, decepções, testes, pessoas que vão te dizer "verdades" que vão doer, e que nem sempre condizem com a realidade, enfim, com um mundo que não vai fazer grande esforço para entender as suas razões, suas angústias, seu jeito de ser. Mas tem muita gente que levanta... vai lá e... realiza.
Ser otimista é sempre uma excelente alternativa para seguir em frente, mesmo depois de um tombo, mas não creio que seja apenas isso o que nos move. É fácil sentar e esperar por borboletas e arco-íris, mas, quando nos deparamos com o fato de que o mundo nem sempre está disposto a nos mostrar essas belezas, é preciso continuar. Para encontrá-las e cultivá-las... haja esforço!
É igualmente fácil desistir. Deprimir-se e não se achar capaz de passar pelos testes que o mundo nos impõe.
Longas horas...
Talvez, o que nos faz prosseguir seja exatamente o fato de sabermos que o mundo não pára nem por um segundo para que você chore os joelhos ralados, as palavras amargas que ouviu ou um projeto de vida que falhou. O tempo não faz perguntas, ele continua correndo, quer você esteja de pé ou não.
Levantar é compromisso. É um vínculo obrigatório com você mesmo. É aquela voz que te grita: "segue em frente, ninguém pode fazer isso a não ser você". É uma fé que fica num lugar dentro de você que às vezes, ninguém conhece, nem você. É, só pode ser isso que nos põe de pé novamente.
Eu não conheçoUM sinônimo para a palavra compromisso, mas, para mim, significa em outras palavras querer fazer dar certo até o fim.
Não escrevo isso a tôa, não. Esse semestre foi longo e difícil. estive bastante ausente, de mim, e de tudo. Mas não vou narrar cada essa experiencia pessoal que me fez sentar aqui e escrever, e sim, deixar aqui o que ficou de tudo. Porque é nisso que consiste todo e qualquer acontecimento: o aprendizado. É termos ciência do motivo de termos vivido e sobrevivido à essa ou àquela experiência.
Quanto maior o compromisso que você tem consigo mesmo, maior sua chance de levantar-se indolor e alcançar o que determinou para si. As maiores conquistas, eu tenho certeza, são de pessoas cansadas e de joelhos ralados, mas de olhos fixos no que acreditam que é certo, justo e bom. Compromisso é lutar por isso até o fim, mesmo que tudo te desestimule, te desencorage. Quando você tem compromisso, nada te desvia, nada te distrai.
É assim que a gente alcança.
[DaisyLima.]
É... acho que voltei! rs
Hoje, metade de mim é Borboletas... mas a outra metade é Compromisso.
"Uma das mais saborosas sensações de liberdade que eu conheço é flagrar meu coração feliz, sem precisar de nenhum motivo aparente. De vez em quando, a mente, que tantas vezes mente, me permite lembrar que essa felicidade essencial está o tempo todo disponível, preservada, por trás das nuvens que a negatividade infla. Rio e me sinto mar."
O meu passado é tudo quanto não consegui ser. Nem as sensações de momentos idos me são saudosas: o que se sente exige o momento; passado este, há um virar de página e a história continua, mas não o texto.