domingo, 22 de julho de 2012

objetos de objetos

"Bom dia!". Um sorriso de canto de boca. "Totalmente mecânico"- pensei. Será que desejei de fato que aquelas pessoas a quem me dirigi tivessem um bom dia?! Vou ter que adiar esse pensamento, pelo menos por hora. Já estou atrasada!

Agora não.
Não tenho tempo.
Preciso trabalhar.
Não vou poder ir, tenho que estudar.

Frases rotineiras por aqui. Por aí também?

Sete cadeiras ou não consigo graduar a tempo. 
Apresentação de seminário e dois trabalhos escritos pra semana que vem (mas eles não acabam nuncaaa?!). 
Tem reunião no laboratório e o ultimo experimento da monografia e mil prescrições pra analisar e as visitas na UTI, sempre as terças-feiras.

Almoço às pressas, sem tempo pra dialogar, digo um oi pra algum rosto familiar no meio do caminho, mas sempre correndo.
"Que vida é essa?"- me pergunto. "não tou gostando assim, não"- reclamo. Os amigos também. 
"E a vida social?"- mamãe indaga ao me ver jogada aos livros em pleno sábado a noite. 
"E o namorado?"- vovó dispara toda vez que me vê. "tá de caso com os livros, ainda?"- completa. "É, vó. Tô de olho no "Leblanch". Nome pomposo, não acha?!"- rimos. 
E o blog? "Mil rascunhos!" - penso sozinha- "mas ainda nem entreguei o projeto da mono. Maldito!"


Cinco anos atrás, o coordenador do cursinho perguntou qual era o motivo de estarmos ali. Ele, diante do silêncio da turma, respondeu (dono de uma obviedade enorme): "vocês estão aqui por que querem, de alguma forma, alcançar a felicidade."
Não deixa de ser verdade. Dinheiro, satisfação pessoal, reconhecimento, poder melhorar de alguma forma a vida de alguém... São objetivos almejados pela maioria das pessoas.

Mas que felicidade é essa, que nos isola, nos exaure e nos mumifica?!

O fato é que em um momento ou outro, acabamos nos afastando de muitas coisas importantes em nome destas buscas. Mas, como perceber quando estamos nos transformando em objetos dos nossos objetos de desejo?

Vale refletir:




***

Nenhum comentário:

Postar um comentário