A maior parte das pessoas, quando vão a um
espetáculo de balé, avaliam uma bailarina por sua postura, seu tronco ereto e
impecavelmente exuberante. Não que isso não deva ser observado, mas, sabiam que
um dos pré requisitos para passar na seleção do Bolshoi é o formato dos pés?
Pois é.
Durante um ato,
poucos são os que refletem sobre os pés da bailarina. Os caminhos por onde
caminharam para que chegasse até ali e o peso que os mesmos tiveram de aprender
a sustentar.
Poucos são os que
veem além. O quanto ela teve que praticar e dedicar-se...
Horas a fio
repetindo os mesmos movimentos, e cuidadosamente refletindo o sentimento de
cada ato, sem que aquilo pareça puramente mecânico.
E quando a
bailarina vai ao chão?
Significa que ela
treinou menos ou que seus pés sejam menos feios?
Sim. O chão nunca
pode ter sido encerado em excesso ou os tacos mal colocados.
A bailarina
defectível engordou ou praticou menos.
Assistir a
bailarina em todo o seu esplendor e glória e ao mesmo tempo associar a isso o
fato de que ela tem terríveis dores musculares e seus pés são calosos e
bolhosos é destoante, não é mesmo? Afinal de contas, na hora de subir ao palco
e mostrar a que veio, as sapatilhas surradas são guardadas e os pezinhos estarão
envoltos em novas e lustrosas.
Por isso é fácil
para muitos admirar o que se vê, o produto final.
Infelizmente a
maioria ignora as etapas anteriores.
Mais foi a dor e o
esforço que levaram a bailarina ao seu cume pessoal: a ponta dos seus próprios pés.
[DaisyLima.]
***

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