segunda-feira, 23 de julho de 2012

os pés da bailarina



A maior parte das pessoas, quando vão a um espetáculo de balé, avaliam uma bailarina por sua postura, seu tronco ereto e impecavelmente exuberante. Não que isso não deva ser observado, mas, sabiam que um dos pré requisitos para passar na seleção do Bolshoi é o formato dos pés? Pois é.

Durante um ato, poucos são os que refletem sobre os pés da bailarina. Os caminhos por onde caminharam para que chegasse até ali e o peso que os mesmos tiveram de aprender a sustentar.

Poucos são os que veem além. O quanto ela teve que praticar e dedicar-se...
Horas a fio repetindo os mesmos movimentos, e cuidadosamente refletindo o sentimento de cada ato, sem que aquilo pareça puramente mecânico.

E quando a bailarina vai ao chão?
Significa que ela treinou menos ou que seus pés sejam menos feios?
Sim. O chão nunca pode ter sido encerado em excesso ou os tacos mal colocados.
A bailarina defectível engordou ou praticou menos.

Assistir a bailarina em todo o seu esplendor e glória e ao mesmo tempo associar a isso o fato de que ela tem terríveis dores musculares e seus pés são calosos e bolhosos é destoante, não é mesmo? Afinal de contas, na hora de subir ao palco e mostrar a que veio, as sapatilhas surradas são guardadas e os pezinhos estarão envoltos em novas e lustrosas.

Por isso é fácil para muitos admirar o que se vê, o produto final.
Infelizmente a maioria ignora as etapas anteriores.

Mais foi a dor e o esforço que levaram a bailarina ao seu cume pessoal: a ponta dos seus próprios pés.



[DaisyLima.]




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